Uma nova maneira de pensar sobre MTTs Microlimits – Smallball

Buenas, galera!

O artigo a seguir foi publicado há algum tempo no fórum do MaisEV, de autoria de “pokemao”. Infelizmente, não sei o nome verdadeiro do jogador. Caso você esteja lendo esse post, identifique-se aí e participe do nosso Clube, será um prazer conhecê-lo!

Eu achei o artigo tão legal e bem estruturado que salvei no Word em meus arquivos à época. Hoje, como eu mesmo venho tentando me aperfeiçoar na estratégia small ball (que não é fácil), percebi que o que o pokemao escreveu naquela época poderia ser aplicado muito bem nos dias de hoje!

Assim, para quem está querendo começar nesse estudo, é uma ótima aula inicial.

Para quem não sabe, a estratégia small ball foi popularizada por Daniel Negreanu e apresentada em seu livro Power Hold’em, já lançado em português pela Raise Editora. Vale a pena conferir!

Sem mais delongas, segue o artigo do pokemao, com algumas adaptações e edições, a fim de facilitar a leitura e o entendimento. Ele é um pouco extenso, por isso, sugiro que leiam quando tiverem tempo livre, com calma, para tentar assimilar o máximo possível. Podem até imprimir, se desejaram! Garanto que valerá a pena.

Grande abraço,

SorrisoRS.

Uma nova maneira de pensar sobre MTTs Microlimits – Smallball

Voltamos para falar da menina dos olhos dos jogadores de torneios: a estratégia SMALLBALL.

Muitos jogadores profissionais acabaram se dedicando a essa estratégia e a tem como base para o seu jogo de torneio. É uma estratégia que valoriza o jogo pós-flop.

Temos que ter em mente que a maioria dos jogadores de torneio tem um péssimo pós-flop e essa estratégia vai de encontro com os erros e falhas dos oponentes, podendo te dar um lucro (na maioria das vezes VAI TE DAR UM LUCRO) absurdamente grande, fazendo você chegar com bastante fichas à etapa intermediária do torneio.

Sendo assim, usem e abusem dessa estratégia sempre que puderem ou pelo menos leiam as palavras seguintes e desenvolvam um jogo ao menos legalzinho de pós-flop.

No que consiste essa estratégia?

Bem, o smallball consiste em jogar em posição mãos com um ótimo desenvolvimento pós-flop (pares altos com bons kickers, overpairs, flushes, straights ou coisa melhor), de modo que no flop e no turn o pote fique controlado e possamos extrair um valor bom tanto no pós-turn como no pós-river, aproveitando nossa posição e a fraqueza dos nossos oponentes.

Quando usar essa estratégia?

Os grandes estudiosos falam para usar a smallball com 50 ou mais big blinds, porém existem pessoas que usam a estratégia com quantidades menores de big blinds e realmente funciona.

Eu geralmente uso o padrão pre-flop do smallball durante quase todo o torneio, exceto em mesas muito loose (muitos limpers, muitos reraisers, ou muita gente dando call), e em fases de push/fold (obviamente).

Como obter êxito adotando essa estratégia?

Primeiramente, se você nunca estudou desenvolvimento de pós-flop, estude muito, leia artigos de cash game, assista vídeo-aulas de cash, aprenda a jogar mãos por valor. Existem muitos e muitos artigos que falam sobre isso.

Iremos comentar aqui uma visão geral sobre como extrair o valor, mas uma olhada na visão de jogo de cash game é muito legal e importante para o desenvolvimento dessa estratégia.

O pré-flop

Bem, por onde começamos? O padrão de raise pré-flop de jogadores small ball é de 2.5x até 2x o valor do big blind. Eu, por exemplo, utilizo de 2.05x a 2.5x; geralmente não gosto de dar um miniraise (2x), acho legal você, pelo menos, dar 2.00001x que seja ao invés de miniraise.

Outra coisa que eu costumo utilizar é padrão não singular de apostas, ou seja, ao invés de um raise de 225, dou de 222, ou algo do gênero.

Para potes com limps pre-flop, daremos limp em posição ou raises que variam entre 2.25x a 3.5x o tamanho do big blind, dependendo da mesa.

Uma coisa interessante é manter o padrão, ou seja, se eu aumento 2.25x com JTs, vou aumentar 2.25x com KK, AA, KQ, etc, mantendo sempre o mesmo padrão no nível de blinds correspondente.

Outra coisa que é ideal é começar com padrões maiores, ou seja: 2.5x e, com o aumentar do tamanho das blinds, ir tendendo ao padrão 2x (embora eu nunca chegue em 2x hehehe). Seria como um limite de cálculo 1 (para quem faz essa matéria na faculdade). Mesas com mais calls, use padrões maiores, mesas com menos calls, use padrão menores.

Ok, agora já sabemos qual o padrão de apostas, mas quando apostar?

Os jogadores smallball querem jogar suas mãos em posição contra os demais jogadores. Se pararmos para pensar um raise de menor valor (quantitativo), faz com que mais jogadores deem calls mais loose e induz que os blinds deem call fora de posição (ISSO QUE NÓS QUEREMOS), porém faz com que alguns jogadores deem call em posição (O QUE NEM SEMPRE É BOM), mas não se esqueçam que daremos raises nesse padrão com uma quantidade muito grande de mãos (de especulativas a made hands), dificultando a leitura dos vilões.

Do mesmo modo, daremos calls (em posição) com essas mesmas mãos. Alguns jogadores smallball dão reraises pequenos com mãos fortes, outros aproveitam a posição e a boa mão para convidar os oponentes a acertar um top pair, daí, já viu…

Então, por via de regra, os smallballers darão raises pequenos em unnopenned pots (potes sem apostas anteriores exceto as blinds), darão limp behind em limped pots com mãos decentes, darão calls a raises quando tiverem posição pós-flop e evitarão jogar fora de posição.

Como dito, alguns darão raises em limped pots, outros reraises em raised pots e outros call loose nas blinds. Mas como aqui iremos apresentar a forma mais comum de smallball, consideraremos os mais “controladores de pote”.

Agora vocês devem estar perguntando com o que jogar… Smallballers querem ver flop, eles necessitam ver flop barato, eles querem flopar aquele monstro e stackear o donkey que está fora de posição; eles querem isso, necessitam isso, e formam a sua stack monstra a partir dessa ideia, sacaram?

Então se perguntem com que tipo de mãos você flopará monstros, ou terá draws monstros, e esses serão imperceptíveis para os adversários?

ISSOOO, mãos especulativas. Então, ao nosso arsenal comum: AA, KK, QQ, pares em geral, AK, AQ, AJ, AT, KQ, KJ, QJ, adicionaremos Ases suited, suited connectors, connectors médios-altos (98, 76, 65), broadways em geral e gappers médios altos (QT, J9, T9).

Vocês vão sentir o prazer de ver um flop QT8 e ver o seu donkey preferido atolar com top pair, ou overpair, e você segurando aquele J9 maroto apostando 2.2x o big blind pré-flop e levando um pote de 150 big blinds.

Mas pensem… para isso tenham um número razoável de big blinds. Quanto menos big blinds você tiver, mais tight é o seu range no smallball; quanto mais big blinds você tiver, mais loose é o seu range no smallball.

Sendo assim, para os menos experientes, não utilizem o smallball com menos de 50 big blinds. De preferência, utilize com mais de 75. Mas por que digo isso? Muitas vezes vocês vão errar completamente o flop, ou acertar um par tosco.

Bem, o pré-flop é isso ai. Dá para ter uma boa ideia de como é o mundo do smallball e você começou a perceber que alguns jogadores que vocês achavam que eram donkeys sabiam o que estavam fazendo.

Vocês viam aquelas mãos que pareciam sem sentido, mas não percebiam o quão baixo era o investimento dele pré-flop em relação a sua stack;, agora percebem que aquele chip leader maluco da mesa fazia alguma jogada com sentido, mas será que é assim mesmo? Humm… Vamos falar do pós-flop.

O pós-flop

Caramba, a cada linha que escrevo sobre essa estratégia percebo o quão grande esse artigo vai ficar, hehehe. A estratégia é muito bem feita e muito elaborada, e muito complexa também. Não é a toa que ela é a menina dos olhos de quem a segue.

Bem, vamos para o que interessa.

No flop, seguindo a estratégia smallball, veremos que poderemos flopar exatamente qualquer coisa, ainda mais se jogarmos com suited connetors), ou seja, poderemos flopar desde 5 high até o royal flush.

Então, iremos dividir as mãos em algumas categorias: (mãos muito boas – dois pares ou maior), (mãos médias – top pair ou par qualquer), (draws fortes – open ended straight draw, monster draw, nuts flush draw), draws fracos (gutshot, 3rd nut flush draw) e lixo.

Vale lembrar que dependendo da leitura contra o oponente as categorias podem ser mais ou menos compactas. Aqui eu apresento a estrutura básica das categorias.

Para começar, no pós-flop e para efeito de regra, sempre que estiver contra um oponente apenas, este estiver fora de posição e teve a ação de dar check, iremos betar algo como 52-60% do pote, de preferência mais para 52% do que para 60%.

Vou explicar o porquê disso. Como smallballers queremos ter ação em nossa mão e evitamos que os oponentes tenham leitura sobre nosso jogo. Sendo assim, contra um oponente fora de posição que dá check – ou seja, a principio está desprotegido – deveremos dar a cbet na maioria das vezes, salvo casos onde você tem reads de que não vale a pena dar a cbet.

Em algumas vezes teremos draws e a cbet vai fazer com que paguemos “barato” para ver nosso draw e “enchamos o pote”, podendo assim extrair valor do nosso draw nas próximas streets; poderá adicionar valor às nossas mãos lixo quando o oponente foldar; poderá adicionar muito valor, caso tenhamos uma mão muito boa e o oponente voltar; assim sucessivamente.

O cbet, nesse caso, impede o oponente de fazer uma leitura bruta em você, ou seja: se você dá cbet é porque tem mão, se dá check é porque não tem mão; se aumenta alto em relação ao pote, é porque tem mão, se aposta menos é porque não tem; e assim sucessivamente. Nos casos de exceção, iremos tratar melhor nas linhas seguintes.

Para finalizar o tratamento dessa cbet standard em posição contra um oponente, temos que ter em mente o motivo da nossa cbet. Ela é standard, mas tem que ter um motivo.

  • A cbet é por blefe puro: acertamos NADA na mão, ou terceiro par, e queremos apenas que o oponente de um fold. Então, se o oponente der call ou voltar, desligaremos a mão no turn ou river de modo a economizar nossas fichas, caso nossa mão não se transforme milagrosamente em uma mão muito boa.
  • A cbet tem a intenção de encher o pote para um draw: se o oponente foldar, ok; mas se o oponente der call, temos que ter em mente o quão bom é nosso draw para agirmos no turn caso ele não bata. Utilizaremos estudos de pot odds, odds implícitas e outs mortas para seguir com nosso draw. E no turn voltaremos a ação caso nossa mão se complete. Caso o oponente mostre resistência com a cbet (dando reraise), iremos também utilizar os estudos de pot odds para ver se o call é a melhor jogada, ou se um reraise (caso tenhamos leitura de agressividade anterior) pode ser a melhor jogada nesse caso.
  • A cbet com mãos muito boas: essas cbets são maravilhosas. Se o oponente foldar, é o pior de tudo; mas se ele der call ou reraise, podemos atolar no flop mesmo ou poderemos extrair todo o valor no turn ou no river. Poderemos simular fraqueza no turn para induzir a agressividade no river ou poderemos descontrolar o pote à vontade.
  • A cbet com mãos médias: essas cbets são complexas. A carta do turn poderá deixar sua mão ainda melhor, logo você continuará com a ação no turn; a carta do turn poderá fazer com que um possível draw na mão do adversário o faça ter uma mão melhor que você; o kicker do adversário poderá ser melhor que o seu; a carta do turn poderá ser um draw morto para você; uma agressão (reraise) do adversário poderá ser um blefe ou uma mão realmente muito boa; ou o jogador poderá simplesmente foldar.

Percebe-se então que mesmo contra apenas um oponente, e o mesmo fora de posição, teremos que tomar algumas atitudes que diferem contra cada oponente. Por isso, mais uma vez eu digo e repito para vocês observarem os oponentes, observarem o comportamento de cada um da mesa, observarem os padrões que eles apresentam, observarem…

Algumas das vertentes acima serão sim decididas por essas observações que vocês fazem sobre os oponentes. Alguns sempre dão o call no flop, mas dão check no turn e betam o river caso no turn houve um check, por exemplo; então deveremos agredir no flop, checar o turn com uma mão muito boa, e deixar ele apostar no river; assim, poderemos extrair o maior valor contra esse tipo de oponente.

Outros dão reraise com qualquer par no flop; então algumas mãos médias estarão na frente do range do oponente e você poderá dar calls com draws ou com mãos médias, de modo a visualizar a carta do turn e definir um range para o vilão.

Outros só irão agredir com mãos realmente boas, então contra esses o cbet é 100% obrigatório. Assim por diante.

O controle de pote não é algo tão necessário até o pós-flop contra apenas um oponente, tendo em vista que na pior das hipóteses (raise pré-flop de 2.5x bb, call do small blind e cbet de 60% vs um call) teremos um pote de 12 big blinds, ou seja, em torno de 5-15% da sua stack. Obviamente, se houver reraises no meio da jogada, os pot odds definirão a vantagem ou não de certos calls. Outros fatores como a sua stack também irão influenciar.

Já contra um jogador que está em posição contra você, um smallballer, trará um pouco de dificuldades de lidar, razão pela qual você deverá restringir o seu range para continuar na mão. Ou seja, só continuará com uma mão muito boa, ou com um draw muito bom. Raramente continuará com uma mão média (a menos que alguma leitura o faça acreditar que aquela é uma boa mão para se jogar fora de posição).

E, nesse caso, o smallballer jogará apenas pelo valor de sua mão, ou seja, nada de blefar com draws ou com lixo. Dará calls ou raises com as mãos muito boas em caso de raise do vilão e agredirá no turn de novo. Dará check-call com draws muito fortes, de modo a acertar seu monstro e agir contra o oponente, mas nada de blefar, ele está ali apenas para jogar pelo valor da sua mão.

COLOQUEM ISSO NA CABEÇA: INÍCIO DE TORNEIO E FORA DE POSIÇÃO, EVITE AO MÁXIMO BLEFAR. QUASE SEMPRE VOCÊ IRÁ MAIS PERDER FICHAS QUE GANHAR NO LONGO PRAZO (SALVO RARAS EXCEÇÕES).

Em geral, contra mais de um oponente, o smallballer irá também apenas jogar pelo valor da mão, como explicado acima, porém, novamente, se o smallballer possui posição sobre os demais oponentes, e tem leitura suficiente dos oponentes, poderá aplicar a cbet e jogar do mesmo modo o pós-flop que jogaria contra um oponente estando o smallballer em posição.

Novamente digo, a estratégia é muito complexa, estudem o máximo que puderem de pós-flop, pois isso ajudará e muito no controle da situação, bem como irá te ajudar nos casos onde as exceções aparecerem.

Bem, sobre o pós-flop é isso que tenho a falar. Vamos à street mais importante de toda a mão: o pós-turn.

O pós-turn

Não sei se todos sabem, mas do mesmo jeito que o botão é a melhor posição no poker, o turn é a street mais importante na decisão de sua mão. As proporções de tamanho de pote que a mão poderá chegar no river vem das decisões tomadas no turn. Os folds bem dados geralmente são dados no turn também. No turn, os jogadores avaliam o real valor de sua mão e tiram as conclusões de ir para o final ou desistir da mão ali mesmo e os smallballers, por valorizarem a sua posição, valorizam também o turn.

O padrão de apostas no turn também é em torno de 52%-60% do pote como é no flop, porém as atitudes tomas no turn são de extrema importância para o desenvolvimento da mão.

Os smallballers no turn quase nunca estarão fora de posição em relação aos vilões, ou seja, se por acaso o smallballer deu aquele call/raise no flop fora de posição e acertou seu monstro, ele irá pensar em desregular o tamanho do pote e extrair o valor dos oponentes e, se apenas continua com seu draw, é o momento correto de pensar seriamente em largar a mão.

Muito eu falo sobre o “controlar o pote” e o “desregular o pote”. Caso vocês não saibam o que é isso, vou explicar: o controlar o pote é criar um pote do tamanho que você consiga extrair um valor decente e justo pela sua mão sem arriscar perder toda a sua stack caso sua mão não seja imbatível no showdown; e o desregular o pote é criar um pote onde você em algum momento poderá colocar toda a sua stack em jogo e esse ato não seria uma overbet, os smallballers só descontrolam o pote se tiverem alguma mão que é nuts, ou algo muito próximo do nuts.

Voltando ao jogo no pós-turn. Em posição, o smallballer terá toda a vantagem da situação. Tendo uma mão muito boa, poderá desde dar call a um raise do oponente fora de posição, quanto a realmente querer decidir levar a mão ali no turn mesmo (caso o smallballer acredite que aquela mão feita por ele tem chances mínimas de ser batida); ou dar a aposta padrão no turn com alguma mão de valor, de modo a extrair fichas do oponente, induzindo ele a pagar por draws mortos, por exemplo; ou até mesmo dar um check behind, caso esteja em draw, e reavaliar sua mão no river.

Devemos ter em mente que muitas mãos são decididas no turn e que os jogadores de smallball querem retirar o valor de sua mão, induzindo os vilões a entrarem na mão fora de posição para tirar proveito de suas mãos com draws muito fortes e das suas mãos muito fortes.

Sendo assim, um jogador puramente smallballer vai evitar ao máximo blefar no turn, novamente, a menos que ele tenha um real motivo para isso.

Sua leitura da mesa poderá apontar os smallballers que estão jogando, basta observar a atitude deles no turn: jogadores que blefam contra todos no turn, não jogam o smallball; jogadores que dão bets muito fortes no turn também não. E esses são os oponentes que você poderá explorar as falhas e até mesmo incluir como exceção ao seu jogo.

Então no pós-turn smallball temos muitas jogadas para extrair valor da mão, muita observação de tendências de oponentes que poderão ser incluídas como exceção (e poderemos blefar ou semiblefar no turn contra esses jogadores) e controlar o pote para não termos que envolver toda a nossa stack em jogo caso não tenhamos uma mão tão maravilhosa assim nessa street.

O pós-river

Bem, aqui é a parte onde em 95% das vezes o smallballer jogará apenas por valor. Irá dar call a shove ou raise/shove com uma mão muito boa (de preferência o nuts); irá dar call a raise (aplicando um controle de pote) caso não tenha absoluta certeza que sua mão é a melhor mão em jogo; e foldará para agressão do vilão caso não tenha uma mão suficiente para o call.

O river realmente parece ser bem mais simples de se jogar em smallball do que o turn, e é verdade. Muito poucos spots permitirão um blefe no river, ainda mais pelo pote que está em questão: ele estará muito pequeno, se o smallballer deu cbet no flop e check no turn; ou estará com um tamanho já grande, caso tenha sido feita bet no flop e bet no turn.

Novamente, apenas uma boa leitura poderá classificar as exceções e modificar o modo de jogo no river de um jogador smallball.

O raise padrão no river é bem variável, isso dependerá do grau de envolvimento dos jogadores na mão, do tamanho do pote, das blinds em questão, etc. Só mesmo um bom estudo de pós-flop dará a vocês um aspecto perto do mais indicado para o padrão de river. Estudem, estudem e estudem, é isso que faz um jogador de smallball ser ainda mais lucrativo.

Bem, a mão se encerra aqui e o showdown vai mostrar que o jogador de smallball que chega até o showdown levará a mão na maioria absoluta das vezes, que os potes criados pelos jogadores smallball são consistentes e muito lucrativos, mostrará para vocês o quão ruim é jogar fora de posição e também fará vocês perceberem o quão ruins ou bons são seus oponentes.

Apenas para relembrar: smallballers jogam em posição, com mãos especulativas que flopam bem ou tendem a serem mãos muito boas pós-flop, cbetam sempre em posição, jogam quase sempre pelo valor de sua mão, conseguem tirar proveito de jogadores extremamente tights, controlam muito bem o pote, costumam jogar o river apenas por valor, betam valores justos em relação ao pote, ganham a maioria dos potes em que se chega em showdown e SÃO EXTREMAMENTE LUCRATIVOS NOS PRIMEIROS NÍVEIS DE BLINDS DE MTT.

E o que não se deve esquecer? Estudar, estudar e estudar pós-flop. Observar, observar e observar oponentes. Extrair, extrair e extrair valor. Jogar, jogar e jogar em posição.

Espero que tenham gostado deste artigo e, qualquer dúvida, podem perguntar.

Abraços, pokemao.

Artigo publicado no Fórum do MaisEV, de autoria de “pokermao”.

E se você quer realmente se aprofundar nos estudo do small ball, o Dicas de Poker indica o livro Power Hold’em, de Daniel Negreanu, já lançado em português pela Raise Editora.

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Como usar o float no flop (e levar o pote)

Por Nathan “BlackRain79” Williams

Uma das melhores estratégias para vencer os Regs ruins nos jogos micro stakes de hoje é usar frequentemente o float no flop. Isso significa que você dará call na continuation bet (CBet) deles com a intenção de levar o pote numa próxima street.

Essa tem sido a minha maior fonte de lucro nos cash games de limites baixos nos últimos anos. E a razão disso é, na verdade, bem simples quando você pensa sobre o assunto.

Você não pode vencer no poker dando fold! Você simplesmente deve começar a levar mais potes dos Regs para ganhar bastante.

Ainda que existam muitas situações onde a melhor opção é definitivamente o fold (p. ex. quando você não tem nada de nada), haverá muitas outras situações onde o pote certamente é possível de ser ganho, conquanto você esteja disposto a lutar por ele um pouco mais.

Dois motivos para o float no flop

Há duas razões específicas para o float no flop:

  • Nós temos posição
  • Nós temos algum tipo de equidade (será explicado mais abaixo)

A grande sacada do float em cima dos Regs ruins nos limites baixos é que muitos deles ainda deixam levar os potes muito facilmente. É literalmente como tirar doce de um bebê às vezes.

O motivo disso é que você encontrará muitos Nits e TAGfish nos limites baixos, os quais têm um grande espaço entre as stats Flop CBet% e Turn Cbet%.

Isso significa, em português, que eles frequentemente dão um tiro no flop, mas desistem no turn quando o oponente ainda está resistindo na mão.

Quando eles desistem no turn com frequência, uma simples aposta é suficiente para levar o pote. Às vezes eles são tão previsíveis que a sua mão se torna quase irrelevante.

Vejamos alguns exemplos.

Usando a posição para levar o pote de um TAGfish

Exemplo:

Vilão TAGfish aumenta em early position.

Você paga no botão com:



Flop:



Vilão dá Cbet.

Você deve dar CALL.

Nessa situação nós optamos pelo flat call em posição pre-flop contra um dos Regs mais fracos, o TAGfish.

É importante você abrir o seu calling range um pouco mais contra esses tipos de jogadores, especialmente quando você estiver em posição. Isso porque, novamente, você não pode vencer no poker dando fold o tempo todo!

Contra os Regs mais fracos, particularmente, sei que posso vencê-los suficientemente para obter lucro aqui. Se eu consigo acertar minha mão, isso é ótimo; porém, meu plano é tentar e conseguir levar o pote dele em várias situações, independentemente disso.

E essa é uma delas.

Nesse board seco, nós realmente não flopamos nada demais e nosso oponente fará a CBet grande parte das vezes. O que devemos fazer?

Bem, a jogada mais óbvia é simplesmente o fold. Não temos nenhum par ou draw e nosso oponente está mostrando agressividade. Porém, jogadores de elite sabem que há uma decisão mais lucrativa aqui, que é o float.

Veja, esse é o negócio:

Não podemos dar call pre-flop com uma mão desse tipo e simplesmente desistir toda vez que não acertarmos um par ou um bom draw. Essa é uma estratégia perdedora, uma vez que nós não floparemos essas mãos com tanta frequência, mas nosso oponente irá frequentemente dar CBet.

Assim, nós termos que continuar em alguns boards nos quais conseguimos pegar algum pedaço dele. E nós, de fato, temos um pouco de equidade nessa mão. Temos um backdoor flush draw para o nuts e duas overcards.

Outro motivo pelo qual eu farei o float nesse board é porque é muito pouco provável que nosso oponente tenha conectado com ele de maneira relevante.

Um Reg tight como esse, que abriu em early position, tem um range consistente em basicamente pocket pairs, broadways e grandes ases. Muito poucas dessas mãos conectarão com esse board de maneira significativa.

E talvez o ponto mais importante de todos. O que os jogadores fracos como esse fazem no turn quando nós pagamos e eles não têm nada?

Isso mesmo, eles desistem.

Mesmo quando eles atiram novamente no turn, há várias maneiras de levar o pote depois, tais como o double floating, semi-bluff raise no turn e bluff no river.

Como estamos em posição nessa mão (o que é a grande, grande chave, por sinal), isso faz com que todas essas outras linhas de ataque sejam tomadas de forma bem mais fácil.

Se você quer dar uma guinada nos seus ganhos nos limites baixos, mãos como essa são literalmente o seu ponto de partida. Ganhar mais em cada um desses pequenos potes que ninguém realmente quer lutar é o coração do poker de nível superior.

Esta é uma situação muito favorável para vencer, em posição, um Reg fraco com algum backdoor de equidade. Comece a levar alguns potes como esse, ao invés de apenas dar fold como todo mundo, e veja a sua winrate subir às alturas.

Vencendo um Nit nos blinds

Exemplo:

Vilão Nit aumenta do botão.

Você paga do big blind com:



Flop:



Você dá check.

Vilão vem no CBet.

Você deve dar CALL ou RAISE.

Vejamos outra situação aqui contra um Reg fraco (Nit), mas desta vez estamos fora de posição. Float quando não temos posição na mão é definitivamente um pouco mais difícil.

Isso porque não podemos apenas esperar que eles desistam no turn e fazer uma aposta fácil para levar o pote.

Ao invés disso, nós precisamos agir primeiro, o que significa que não temos nenhuma informação se eles estão desistindo desta vez ou se eles realmente têm alguma coisa boa.

Enquanto isso é definitivamente ruim, ainda temos que lutar por alguns potes quando estamos fora de posição. Caso contrário, é melhor apenas dar fold pre-flop com mãos especulativas como essa.

Contudo, essa é outra situação em que podemos vencer. Embora não tenhamos flopado um par ou um draw forte, nós pegamos um pequeno pedaço.

Temos uma broca para a sequência nut, um backdoor flush draw e duas overcards. Isso nos dá uma boa equidade mesmo se nosso oponente tenha alguma coisa forte como um top pair.

E lembre-se que este é o pior cenário (p. ex. o topo do range do oponente). Mesmo assim, ainda temos quase 42% de equidade no pote!

Portanto, no mínimo eu darei call nessa CBet no flop. Quando você está fora de posição, como aqui, também é uma boa ideia mixar alguns flops com um check/raise de vez em quando.

Como o float é um pouco mais difícil fora de posição, essa linha permite tentar e levar o porte agora mesmo, ou pelo menos retomar a ação como agressor.

Independentemente de qual linha de ataque escolhermos, também há vários caminhos para a vitória no turn. Nós continuaremos com várias cartas diferentes que melhoram nossa equidade.

No caso:

  • Qualquer espadas (9 cartas)
  • Qualquer 8 (4 cartas)
  • Qualquer J (3 cartas)
  • Qualquer T (3 cartas)

Isso dá 19 cartas, o que é quase metade das cartas restantes no baralho. Isso significa que nós daremos float novamente ou pressionaremos no turn cerca de 50% das vezes.

Será muito difícil para um Reg fraco como esse continuar, a não ser que ele realmente tenha uma mão forte.

Forçar os Regs ruins a situações desconfortáveis como essa é o coração do que deve ser o poker vencedor nesses limites. Eles simplesmente não estão dispostos a partir para a guerra com muita frequência.

Sendo assim, podemos tirar vantagem disso usando o float e fazendo jogadas agressivas no pote quando flopamos qualquer tipo de equidade razoável.

Float contra um Regular Loose-AggressiveBlind vs Blind

Exemplo:

Vilão LAG aumenta do small blind.

Você paga do big blind com:



Flop:



Vilão LAG vem no CBet.

Você deve dar CALL.

Contra os Regs bons, você também deve usar o float muito mais vezes nos dias de hoje. E mesmo que esperemos que eles sigam aplicando pressão no turn com frequência, nós precisamos nos envolver ou corremos o risco de sermos superados.

Nós pagamos pre-flop aqui com uma mão que não é particularmente excepcional e também não joga muito bem depois do flop. Entretanto, ela está muito à frente do range do nosso oponente e, é claro, temos aquela coisa maravilhosa chamada posição.

Num confronto de blind vs blind como esse, você pode esperar que um Reg agressivo aumente com um range tão amplo quanto 30%, 40% ou às vezes até maior.

Veja aqui como nossa mão se sai contra um range de 35%:

Muitos Regs nos limites baixos aumentam bastante light quando roda em fold até eles no small blind porque eles sabem que só tem uma pessoa para eles vencerem. E muitas pessoas ainda entregam os seus big blinds muito facilmente.

Esse é o motivo pelo qual você deve defender o seu big blind com um range amplo numa situação como essa. Todavia, você não deve apenas dar 3Bet todas as vezes, pois um jogador como esse, que pensa, simplesmente começará a fazer 4Bet que nem louco em cima de você. Portanto, é importante mixar com alguns flat calls também.

Nesse board extremamente seco e pareado, precisamos usar o float novamente. Um jogador agressivo como esse vai dar CBet com quase todo o range dele nesse board. E não tem jeito dele conectar com frequência.

Também poderíamos considerar o raise aqui. Mas o problema com essa linha é que nós representamos muito pouca coisa num board desse tipo.

E um jogador realmente esperto pode se dar conta disso e aplicar um bluff/reraise em cima de nós, forçando-nos a foldar. Assim, essa é uma situação perfeita para um float e tentar levar o pote nas streets seguintes.

E sim, mesmo que esperemos levar frequentemente outro barril no turn de jogadores como esse, ainda haverá muitas formas de vencermos o pote.

O ponto aqui é que você precisa começar a lutar por mais potes contra os Regs bons também. O float no flop com um range amplo em posição é um dos melhores lugares para começar.

Considerações finais

Usar o float no flop e tentar levar o pote no turn ou river é literalmente uma mudança de jogo nos micro stakes atualmente. Os melhores jogadores estão abusando exageradamente dos Regs fracos com essa simples jogada.

Você deve realmente focar nos jogadores com um grande espaço entre as stats Flop CBet% e Turn Cbet%. Quase sempre serão os tipos de jogadores Nit e TAGfish.

É importante o float também contra os melhores Regs com mais frequência, como discutimos no último exemplo de mão. Isso porque, uma vez mais, você não vence no poker dando fold!

Toda a discussão de estratégia (e os exemplos de mãos) deste artigo foi retirada de uma amostra de capítulo do meu novo livro de poker – The Micro Stakes Playbook.

No livro, você aprenderá todas as estratégias para explorar cada tipo de jogador nos atuais jogos de poker micro stakes.

Você também aprenderá várias jogadas simples como essa que eu venho usando para detonar esses jogos por uma das mais altas winrates na história do poker online.

Artigo originalmente publicado sob o título How to Float the Flop (And Take Away The Pot), no site BlackRain79.com.

Traduzido por SorrisoRS.

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